Durante os períodos eleitorais temos um instrumento estatístico que ganha uma projeção incrivelmente grande: a pesquisa por amostragem. Você, sem dúvida já deve ter ouvido falar das tão "controversas" pesquisas de intenção de votos, não é mesmo? Você pode até duvidar dos seus resultados mas não pode ignorar os mesmos e, pensando nisso, você já se perguntou como é que essas pesquisas são feitas? Vamos descobrir?
"Disclaimers"
Primeiro, preciso deixar aqui alguns "disclaimers" sobre esse texto. Eu não vou apresentar dados exatos e isso se deve, principalmente, ao fato de que tais dados dependem de caso pra caso. Ainda, não pretendo falar sobre "manipulações de pesquisas" ou coisas do tipo, pois isso daria um texto a parte que faria com que esse ficasse muito extenso.
Como as pesquisas são feitas?
Essas pesquisas de intenção de voto são, antes de tudo, pesquisas por amostragem. Antes de continuarmos com essas explicações, precisamos definir, de forma leiga, um termo muito importante: amostra. Imagine, que sua cidade tenha 400 mil habitantes, durante um período de eleição municipal. É inviável você entrevistar todos os habitantes para fazer uma dessas pesquisas.
Qual é a saída para isso? Entrevistar apenas uma parte dos habitantes. Assim, podemos chamar essa pequena parte dos habitantes a serem entrevistados de amostra do universo, enquanto que, como você já deve ter imaginado, o universo são todos os habitantes da cidade. É por isso que a pesquisa de intenção de votos é uma pesquisa por amostragem: ela trabalha apenas com uma amostra, isso é, com uma parte do universo.
O primeiro fato importante é que uma amostra precisa ter uma característica em comum que é o interesse da pesquisa. No caso das pesquisas de intenção de votos, essa característica é, exatamente, saber em qual candidato as pessoas votariam, caso a eleição fosse hoje.
Quantas pessoas são entrevistadas?
A resposta para essa pergunta é um enfático: depende. Para determinarmos quantas pessoas devem ser entrevistadas, é preciso decidir qual o erro aceitável para a pesquisa. O erro é calculado utilizando um outro instrumento estatístico chamado de Intervalo de Confiança. Um intervalo de confiança é um intervalo onde o nosso dado real deve estar. Nos noticiários essa parte aparece anunciada como "o erro percentual é de 2 pontos para mais ou para menos".
Por exemplo, se um candidato tem 30% das intenções de votos e a pesquisa tem erro percentual de 2 pontos para mais ou para menos, o número real deve estar compreendido entre 28% e 32%. Porém, aqui, tem um outro número importante: a confiabilidade de uma pesquisa e falaremos dele na seção: "é confiável?".
Apenas a título de curiosidade, em simulações, com confiabilidade de 95%, erro percentual de 2 pontos para mais ou para menos, com população de 400 mil pessoas, o número de pessoas a serem entrevistadas é por volta de 2000 pessoas (guarde essa informação, pois voltaremos a comentar sobre a mesma).
Como escolher as pessoas a serem entrevistadas?
Ao se realizar uma pesquisa por amostragem, o ideal é que se sorteie aleatoriamente as pessoas da amostra. Porém, dentro de um ambiente de uma cidade, é um pouco difícil de se acontecer isso. Desse modo, o que, geralmente, se faz é procurar por bairros que representem todas as classes sociais da cidade (afinal, se uma pesquisa for feita apenas em um bairro de luxo, ela terá um viés, enquanto que se for feita apenas em um bairro periférico, terá outro viés totalmente diferente).
Tendo, então, os bairros escolhidos, sorteia-se residências e, em cada residência, sorteia-se uma pessoa que, então, responde ao questionário.
Outro fator, que costuma ser levado em consideração, é a idade dos eleitores que são sorteados. Tenta-se manter a mesma proporção de idades das proporções de idade da população total. São divididas algumas faixas etárias, por exemplo, de 16 a 24 anos, de 25 a 32, etc (esses são apenas exemplos). Suponha, por exemplo, que numa cidade tenha 20% de eleitores entre 16 e 24 anos, tenta-se então, ao se fazer uma pesquisa, manter a mesma proporção de entrevistados nessa idade. Isso é o que se chama de amostra estratificada proporcional.
E a confiabilidade?
Em conjunto ao intervalo de confiança, já comentado, tem-se o índice de confiabilidade de uma pesquisa. Geralmente ele é retratado, pelos noticiários, como "as chances da pesquisa retratar a realidade é de 95%". Como é que isso funciona, então? Bom, ele diz que a probabilidade da pesquisa retratar a realidade, dentro do intervalo de confiança, é de 95%.
Um exemplo de como isso funciona é que, fazendo simulações computacionais de várias pesquisas e eleições simultâneas, sorteando pessoas aleatoriamente (pois é uma simulação computacional), aproximadamente 95% das vezes, os resultados condizem com o resultado esperado pelo intervalo de confiança, e mesmo quando isso não acontece, o erro é mínimo.
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| Simulação de eleições e pesquisas eleitorais com confiabilidade de 95% e erro percentual de 2 pontos para mais ou para menos [1]. |
Fraudes nas Eleições? Será?
Desse modo, é importante esclarecermos que, o que determina o quão boa uma pesquisa é feita são os institutos que realizam as mesmas. Por exemplo, vamos olhar para a pesquisa abaixo, realizada pelo Instituto DataFolha, para as eleições presidenciais de 2018:
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| Pesquisa de intenção de votos para o segundo turno das eleições presidenciais de 2018 [2]. |
Agora, vamos olhar para os resultados finais da disputa presidencial:
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| Resutado da apuração de votos do segundo turno das eleições presidenciais de 2018 [3]. |
Pasmem com a precisão dos resultados da pesquisa, do DataFolha, com os resultados da apuração das urnas. De fato, uma das maiores provas de não fraude nas eleições hoje são as pesquisas feitas por instituições de grande renome. Para se levantar dúvida sobre existir fraudes as eleições no Brasil bastaria uma pesquisa realizada na semana das eleições, por uma dessas grandes instituições renomadas, com enorme discrepância do resultado final das eleições. Mas adivinha? Isso nunca aconteceu, até hoje.
Referências e Fontes
[1] Simulações Computacionais: Eduardo Oliveira no GitHub.




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